VAPORIZAÇÃO, QUANDO É NECESSÁRIA?

Durante as radiografias de empresas que fazemos para orientar os empresários sobre as áreas que poderiam ser melhoradas, torná-las mais produtivas, com menos desperdícios e maior qualidade, entre outras, encontramos sempre algumas situações ou coisas, que nos causam estranheza. São muitas, variadas, quase sempre prejudiciais sob algum aspecto.

Até hoje ninguém foi capaz de nos explicar satisfatoriamente porque se vaporizam os cabedais feitos de materiais sintéticos ou têxteis antes de ensacar.

Concordo plenamente, que um material laminado sob ação do calor se estende, amolece e favorece assim a conformação, principalmente na área de bico.

Até aí tudo bem. Mas qual é a vantagem em encher o cabedal de água? Para depois encher o bico de bucha de papel para manter a forma? Para ajudar na secagem? É um contra-senso, sem falar no gasto inútil de energia para aquecer a água.

Vaporização só tem pleno sentido no calçado de couro, para evitar o trincamento das peles no bico e o aparelho para vaporizar o bico foi criado exclusivamente para facilitar o ensacamento do mocassim. Mas mesmo assim, depende muito do tipo de couro como a vaporização deve ser executada. Há uma diferença grande entre um camurção ou pelica.

Sem pensar muito, os chefes das fábricas começaram a usar a mesma tecnologia para o calçado costurado em over-lock, em materiais sintéticos e têxteis.

Um grande problema sempre foi secar o calçado propriamente. As normas da Marinha Brasileira, por exemplo, até há pouco tempo exigiam que o calçado secasse durante dez dias na forma. Calçado de couro, certo. Mas isso demonstra a preocupação com a secagem apropriada do calçado. – Porque, então encher o calçado com vapor, ou seja, com água?

Vaporizar os cabedais de sintético é contraproducente e em determinados casos pode até prejudicar a colagem. Vamos pensar um pouco mais antes de começar inventar tecnologias?

 

Zdenek Pracuch