A SEMPRE NECESSÁRIA ATENÇÃO AO CORTE

Num artigo anterior me referi ao uso (ou uso indevido) do balancim de ponte . Era um exemplo como as coisas mais óbvias, mas feitas de maneira pouco adequada podem se passar debaixo dos nossos olhos sem que as percebamos. A nossa mente esta tão obnubilada pelo desgaste da rotina diária, pela tradição ou até desconhecimento, que as situações causadoras de prejuízos, ás vezes elevados, se perpetuam.

Observem como os seus cortadores cortam. Há dois tipos básicos de corte, os dois bastante diferentes, mas muitas vezes trabalhando um ao lado do outro. Refiro-me ao corte do couro e ao corte de laminados. Os dois tipos do corte, embora executados em máquinas iguais e por cortadores com treinamento igual, (ou na maioria dos casos sem treinamento nenhum) são completamente diferentes. E, infelizmente, por desconhecimento, causadores de prejuízos elevados.

Nas indústrias onde já implantamos controles rigorosos de consumo por parte dos cortadores, sabemos exatamente o quanto isto significa e representa em dinheiro levado para fora em tambores ou sacos de lixo.

Desçam para o corte e observem como os cortadores, com medo de faltar um pedacinho da peca cortada, cortam em “redes” deixando uma margem de 3, 4 ou até 5 milímetros entre uma peça e outra. Imaginem quanto estas margens representam no fim do dia.

Para economizar o tempo do balancim de ponte (o tempo que é perdido logo depois, como mostrei no artigo passado) se montam até dez camadas de espuma para cortar cinco pares com uma descida. É óbvio, que a faca fica instável sobre este material, com esta altura. O cortador compensa, deixando uma margem generosa entre uma peça e outra. Será que numa espuma, faltando um pedacinho alguém poderia sentir a falta, ou comprometeria a qualidade?

Duvido. Mas não tenho dúvida, que o desperdício de material é grande. Então porque não diminuir o número das camadas? Ou introduzir a maneira de aumentar a produtividade do balancim como sugerido no artigo anterior?

Dói, quando se vê um rolo de 140 cm dividido em faixas de 70 cm para caber no cepo (ou toco como se diz em algumas indústrias) do balancim de braço. As margens sempre são prejudiciais ao corte, seja na vaqueta ou laminados.

Toda vez em que chego perto da margem tenho dificuldade na colocação da faca. E cortando a lâmina de 140 para 70 cm, estou dobrando o número das margens, ou seja dobrando o meu prejuízo! Vale a pena fazer a estimativa de custo / benefício e pensar em investimento num balancim de ponte.

O estado lastimável dos cepos causa desperdício de tempo, tão prejudicial quanto o desperdício de material. Vejo a todo o momento o cortador dar duas ou até três batidas, porque o cepo está irregular e não permite corte limpo na primeira vez. Ou a faca fica encravada precisando intervenção do martelo para desencravar. Quando esta operação não esteja sendo feita por outra faca!

E o que dizer quanto à técnica do corte, principalmente do couro, onde se corta separando peças maiores para cortá-las “depois” fazendo retalho do retalho? Basta ficar quinze minutos no corte para ver a necessidade de melhoras, que podem levar semanas ou meses para serem erradicadas e corrigidas. Infelizmente, para atingir a perfeição não existem atalhos. Só o trabalho duro e consciente.

 

Zdenek Pracuch