PORQUE COMPRAR MAIS E MAIS MÁQUINAS?

Parece que os empresários calçadistas gostam de investir em máquinas, sem pensar muito, ou pelo menos pensar duas vezes. Há algumas semanas escrevi neste espaço sobre as máquinas de esfriar o calçados depois de colagem. Esperei que este artigo despertasse alguma reação, senão dos compradores, pelo menos dos fornecedores ou técnicos das ditas máquinas.

Parece, que todo mundo aceitou as minhas objeções. E, hoje, quero abordar outro assunto onde o investimento pesado, está sendo feito sem necessidade.

Trata-se de compra de máquinas de costura de coluna. Máquina cara, de regulagem nada fácil, com peças de reposição muito caras – e o pior de tudo - em 40 % dos casos, desnecessária.

Os estudos mundiais e, simples visita a um pesponto europeu ou asiático, vai mostrar ao espantado visitante brasileiro, que pelo menos 40 % de todos os serviços do pesponto podem ser feitos com vantagem numa máquina plana, de mesa. Máquina muito mais barata (as vezes custa metade), de fácil regulagem, peças mais baratas e podendo ser dominada pela costureira de pouca prática, que aprendeu a costurar numa velha Singer da mamãe.

No artigo anterior escrevi sobre a costura do swoosh - a asinha da NIKE. Costurar esta peça sem colar numa máquina de coluna é um exercício de acrobacia. Numa máquina plana é brincadeira.

A tradição tem a sua justificativa no passado, mas não faz sentido hoje. No passado, quando a fábrica começava, precisava comprar uma máquina que atendesse a todas as necessidades da fábrica. Era a tarefa da máquina de coluna. Até aí tudo bem. Mas, mesmo depois, quando a fábrica se capitalizou e podia escolher a máquina que mais lhe conviesse, o empresário continua a comprar a máquina cara e muitas vezes desnecessária para o serviço de que precisa.

Como já escrevi em artigo anterior: o estudo de tempos e movimentos, estudo de racionalização de trabalho, o eterno questionamento de como produzir mais, melhor, mais rápido e com maior qualidade, este questionamento não pode parar. Sim, é uma tarefa para especialistas, mas não se devem desprezar as idéias e experiências nascidas dentro da própria indústria. Quantas idéias boas nascem no meio dos funcionários!

Mas, infelizmente, poucas vezes podem fazer ouvir as suas vozes. O tal santo da casa que não faz milagres. Vamos analisar melhor o que acontece no piso da fábrica e apurar melhor os nossos ouvidos?

 

Zdenek Pracuch