TERCEIRO MILÊNIO EM GESTÃO JÁ COMEÇOU
PARTE 3

Nos dois primeiros artigos onde descrevi o modo de gestão nas organizações BATA, dediquei espaço aos pontos de PLANEJAR e PROGRAMAR. Neste artigo quero me ocupar do terceiro passo que é PRODUZIR.

Os princípios de gestão aplicados nas organizações BATA podem ser usados em qualquer tipo de negócio, tanto assim, que a organização possuía e possui além de fabricas e lojas de calçados, lojas de departamentos, hotéis, restaurantes, cinemas, companhias de transportes, fábricas de pneus, de têxteis, curtumes, fábricas de máquinas (as tão bem conhecidas Svit), fábrica de aviões etc.etc.

Os princípios de gestão tanto podem ser aplicados nas fábricas de calçados, como num carrinho de cachorro quente, lavanderia ou fábrica de televisores. Basta trocar o verbo PRODUZIR por verbo VENDER ou SERVIR e os mesmos princípios podem ser aplicados.

Não há uma atividade humana, onde estes princípios básicos, e simples, usados nas organizações BATA não poderiam ser aplicados com sucesso. As provas estão à vista de todos. Uma organização que passou dos cem anos de existência e continua exuberante é uma prova indiscutível do funcionamento dos sistemas aplicados.

Como PRODUZIR, ou VENDER, ou SERVIR com sucesso? Se o exercício básico de planejamento e de programação foi feito com toda a seriedade e com técnica necessária, a produção (ou venda ou serviço) é simples continuação do processo. É óbvio que para a produção há outros critérios, mais amplos, que devem ser observados, como por exemplo, a máxima economia em tudo, evitando todos os desperdícios, adotar processos racionais e métodos tecnológicos mais condizentes com as metas propostas, escolher e treinar as pessoas adequadas para a execução do previsto, enfim, montar uma estrutura, que permita a execução adequada das metas visualizadas.

Onde, geralmente, pecam os empresários que dirigem as empresas mais pela intuição, do que pelas técnicas de gestão? Pecam pela falta de métodos adequados de racionalização de produção. Exemplo? Pouquíssimas são as indústrias de calçados que consigam um giro da mercadoria de menos de cinco dias úteis. No entanto, adotando métodos racionais (e nem tão modernos, porque já na década dos sessenta na Samello em Franca, conseguíamos um giro de quatro dias), hoje temos indústrias, em Nova Serrana que necessitam de menos de duas horas de operação depois de cortado, para colocar o calçado na caixa coletiva para o despacho. E, no momento, estou introduzindo o mesmo sistema, também, em duas fábricas em Franca.

Em Franca levaremos mais de duas horas, concordo, porque o produto de Franca, pelo menos nas fábricas que estão adotando este sistema, é bastante mais elaborado. - Mas nem se fosse um dia, no lugar de duas horas – que diferença isso representa, para quem tinha giro de até vinte dias? Já imaginaram o desempate do capital de giro, já imaginaram a aceleração nas entregas, já imaginaram a ordem na produção, limpa, contínua, visível e de fácil supervisão, que isto representa?

Não estou falando em tese. Não falo sobre alguma coisa teórica. - Em Nova Serrana são os irmãos Lacerda Oliveira que já trabalham assim. O Arézio, que abriu uma fábrica nova em Nova Serrana e consegue reduzir o tempo entre corte e caixa coletiva do despacho para uma hora e vinte minutos e o Anízio, que introduziu este sistema na sua nova unidade numa cidade vizinha e só está esperando a conclusão da construção de novos pavilhões para adotar este método para a fábrica na sua totalidade.

São dois exemplos da mentalidade avançada, que nos faz acreditar, que a indústria de calçados no Brasil não está condenada, nem precisa viver angustiada com o que futuro vem trazer. – O que falta é justamente o espírito inovador, como aquele dos dois irmãos, a coragem de sair das rotinas batidas e trilhar caminhos novos (novos para o Brasil, mas já batidos no resto do mundo).

PRODUZIR é o terceiro passo do sistema BATA. Mas, cuidado, não é produzir do jeito “como sempre deu certo” ou “sempre fizemos assim, para que mudar?” – que já ouvi tantas vezes! Produzir sim, mas dentro das técnicas e métodos mais modernos, mais condizentes com a realidade de terceiro milênio. – A globalização é uma realidade irremovível. Hoje não competimos com Franca, Novo Hamburgo ou Jaú. Hoje competimos com Ho-Chi-Min City, com Gangzhou com Jakarta e outros. Todo cuidado é pouco. Competimos com pessoas ávidas de conquistar o seu lugar no mercado e, infelizmente, o estão conseguindo às nossas custas.

Se não adotarmos a máxima racionalização no verbete PRODUZIR, não poderemos competir em condições de igualdade. Lutaremos, em condições, que Sun Tzu no seu livro “Arte de Guerra” recomenda evitar ao máximo: lutar no sentido morro acima. E, desconfio, que o manual do Sun Tzu é o livro de cabeceira dos nossos competidores calçadistas orientais, pelo sucesso que estão conseguindo em tomar nossos mercados lá fora e já começando aqui dentro, também.

Em tempo: antes que alguém diga que produzir tênis de materiais sintêticos em duas horas não é uma façanha tão grande, quero deixar claro, que os irmãos Anízio e Arézio Lacerda Olivera produzem nas suas fábricas tênis de couro de alta qualidade, composto de mais peças que o calçado masculino tradicional.

Vamos repensar os métodos de produção e adequá-los ao terceiro milênio?

Zdenek Pracuch