PRODUTIVIDADE - 3

Uma das razões da baixa produtividade em quase todas as empresas é a falta de um lay-out lógico que proporcionaria, via logística eficiente, uma considerável redução nos custos. Por que estamos preocupados com a produtividade? Porque esta afeta diretamente os custos e, na hora de competir, o preço do produto é um item de primeira grandeza.

Por que, então, esta parte está tão negligenciada? A explicação, embora não abrangente de todos os casos, é que as empresas cresceram por fases de expansão e a logística de transporte do produto, nas suas diversas fases operacionais, não fora observada, ou fora condicionada pela configuração do(s) prédio(s).

Não me refiro aqui à terceirização da produção via bancadas de pesponto independentes, que constituem um outro problema. Aparentemente trazem economia, quando na realidade, se tornam dispendiosas sob todos os aspectos.

É impressionante observar, como em muitas empresas estamos vendo pessoas transportando materiais semiacabados, em produção, de um lado para outro, não acrescentando com seu trabalho, um centavo sequer de mais valia ao produto. Estão isso sim, aumentando o custo do mesmo. Há fábricas que são um verdadeiro formigueiro humano, onde o vozerio das conversas suplanta o ruído das máquinas.

Na época de transportadores, até robotizados, temos pespontos onde as caixas com produção são penosamente arrastadas de uma operação para outra. Sabemos, que um par de cabedal pode ser costurado em, no máximo, vinte minutos. Porque, então, demora três dias para atravessar a operação de costura no pesponto tradicional? Este é só um exemplo.

Será que ninguém se debruça sobre a planilha de custos com olhos críticos? Dentro do meu trabalho encontrei duas fábricas de tênis, uma de Nova Serrana e outra em Franca, com a produção idêntica de pares por dia. Em Nova Serrana havia 3 pessoas no almoxarifado, incluindo o encarregado, e em Franca havia 18! Competir como?

Num outro caso, também em Franca, pelos critérios internacionais, já adaptados às condições brasileiras, havia 72 funcionários, considerados improdutivos, a mais! Competir como? Custos, custos e mais custos! – Não se trata somente de casos gritantes como os citados. Nas menores coisas podemos fazer economias consideráveis. Exemplo? Caixas coletivas de embalagem.

A grande maioria de empresas, ou por falta de análise ou por acomodação mesmo estão usando caixas de 12 ou 20 pares nas embalagens coletivas, no sentido vertical. Ou seja, para conferir a exatidão do conteúdo, ou no caso de alguma duvida, temos que retirar todas as caixas individuais para a conferência. Nos anos sessenta quando começamos exportar, os importadores americanos estrilaram e houve casos de mercadoria em Nova York ser posta à disposição do exportador por causa do formato das caixas coletivas.

Os americanos estavam cobertos de razão. Se posso abrir duas palas de uma caixa enchida no sentido horizontal, onde num golpe de vista confiro o conteúdo e fecho a caixa com a fita adesiva em questão de dois minutos, por que vou esvaziar penosamente uma caixa de par por par, para depois da conferencia enchê-la de novo pagando doze dólares por hora (naquele tempo) para uma pessoa ocupada por um tempo desperdiçado inutilmente?

Quantas operações feitas sem necessidade, quantas operações mal pensadas, quantas operações executadas por tradição, acomodação ou medo de inovação? Tudo isso afeta a produtividade e esta por sua vez afeta o custo. Nunca é demais repetir o pensamento do Thomas Bata Junior – Nossa indústria é uma indústria pobre! É feita de gramas, milímetros e segundos e aí! de quem desprezar isso!

O mais desanimador é, que os envolvidos raramente se dão conta do problema. Quantas vezes fui obrigado a ouvir um dono de empresa chamar atenção dos funcionários: Vocês passam a vida aqui dentro e não vem nada de errado! O homem chegou agora e olhem quanta coisa errada apontou!

Mas, é justamente isso. Chegou agora – ou seja, vista desimpedida, trazendo experiência de n-fábricas onde já atuou e com isso identificou logo as coisas que poderiam e deveriam ser feitas de modo diferente, mais racional ou econômico, ou até deixarem de ser feitas de uma vez! O que dizer dos coitados gerentes de produção, que se criaram e cresceram junto com a fábrica e nunca visitaram uma indústria de primeira categoria. Muito menos uma de um país diferente.

A produtividade industrial tem múltiplos aspectos. Todos eles importantes, porque afetam diretamente os custos do produto. A revista Exame publicou recentemente um gráfico comparando o valor produzido por operários de vários países. Ficou em aberto, sem resposta, a pergunta: Por que o operário americano produz cinco vezes mais que o brasileiro? Não vamos culpar o operário. Este exerce o que foi determinado ou para o que foi instruído. Mas nunca é demais repetir: New Balance produz um par de calçado completo em doze minutos!

A indústria de calçados brasileira tem um longo caminho pela frente se quiser acompanhar o desenvolvimento industrial do terceiro milênio. O Brasil está entre os países mais fechados para a economia e comércio global. É simplesmente questão de tempo quando esta situação vai mudar e o Brasil será aberto ao comércio mundial como o resto do mundo. É questão de sobrevivência. O exemplo argentino serve de alerta. De uma economia do primeiro mundo, devido ao isolamento implantado pelo peronismo, hoje é uma economia falida e sem crédito.

Cruzemos os dedos para que o governo não deixe chegar ao mesmo ponto, mas de nossa parte estejamos preparados para uma concorrência mais feroz ainda.

(Artigos anteriores desta série: Produtividade - 1 - leia aqui e Produtividade - 2 - leia aqui)

Zdenek Pracuch

22/04/13 (edição póstuma)